Encontro fortalece defesa internacional dos povos do Cerrado com visita promocional da Relatoria Especial DESCA da CIDH

Comunicado
19 de maio de 2026

Cerca de cinquenta lideranças de povos e comunidades tradicionais (PCTs) e de matriz africana, além de representantes de organizações nacionais e internacionais, pesquisadores, ativistas e instituições, participarão do encontro “Cerrado no Mundo: Territórios, Direitos e Vozes em Incidência Global”, entre os dias 21 e 23 de maio, em Uberlândia (MG).

O evento contará com a participação de Javier Palummo, Relator Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (REDESCA) da CIDH/OEA, em uma agenda voltada ao fortalecimento do diálogo entre territórios, direitos humanos e justiça climática.

A iniciativa busca ampliar a presença das vozes do Cerrado nos debates internacionais sobre meio ambiente, clima e direitos territoriais, promovendo o diálogo entre os territórios e os mecanismos internacionais de direitos humanos, no contexto das agendas globais de justiça socioambiental.

“Fala-se muito da Amazônia na Europa e em outros países, mas não se fala da savana brasileira, que é o Cerrado. É um bioma que faz a ligação com todos os demais biomas. Nós falamos que o Cerrado é a caixa d’água do Brasil”, afirmou Carolina Martini, da AMEDI – Ambient Educação Interativa.

O evento é co-organizado pela Aliança Brazil Office (ABO), Rede Cerrado, AMEDI – Ambiente e Educação Interativa e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

“Historicamente, os debates internacionais sobre biodiversidade e clima acontecem sem ouvir quem realmente protege os territórios”, afirmou Marília Gabriely Marcelino da Cunha, representante da juventude do Território Indígena Buriti e integrante do Conselho Terena do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas.

“O Cerrado é frequentemente tratado pelo Estado e pelo mercado como um ‘vazio demográfico’ a ser ocupado pelo agronegócio, gerando insegurança, violência e destruição ambiental. Quando os povos do Cerrado assumem sua própria comunicação, eles disputam narrativas e fortalecem sua presença nos espaços de decisão”, acrescentou.

O Babá Aurélio de Odé, autoridade e liderança de matriz africana na Comunidade tradicional Ilê Odé Axé Opô Inle, destacou o Cerrado como território sagrado, fonte de vida, espiritualidade, cultura e resistência: “O Cerrado não é apenas um bioma, ele é território sagrado, fonte de alimento, espiritualidade, cultura e sobrevivência. Mesmo assim, muitas vezes ainda somos convidados apenas para ocupar espaços simbólicos, sem verdadeira escuta e participação nas decisões.”

Maria de Jesus Alves, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), chamou atenção para os impactos das invasões e da violência nos territórios e sobre a vida das mulheres tradicionais: “Invadem nossos territórios e nossas comunidades. São várias situações de violência contra as mulheres e contra nossos modos de vida. Enquanto não temos garantia de direitos, nossa existência segue ameaçada. Mesmo assim, seguimos resistindo.”

Realizado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o encontro contará com a presença de autoridades, lideranças indígenas, quilombolas e representantes de organizações socioambientais nacionais e internacionais.

Para Danilo Ferreira Almeida Farias, Coordenador de Litigância Estratégica Socioambiental do WWF-Brasil, a atenção internacional ao Cerrado é fundamental diante do avanço do desmatamento e da pressão das commodities agrícolas: “Trata-se de um território estratégico para o cumprimento das obrigações ambientais e climáticas assumidas pelo Brasil, razão pela qual enfrentar essa problemática também significa defender direitos humanos sistematicamente afetados pelos impactos socioambientais do avanço dessas atividades sobre os territórios tradicionais.”

Para finalizar, Martini relembrou que os guardiões do Cerrado são os povos e comunidades tradicionais, protagonistas desta história. “Com este evento, buscamos fortalecer essas vozes e apoiar suas lideranças na orientação dos caminhos da conservação ambiental e da preservação dos conhecimentos tradicionais, contribuindo para que a sociedade se enriqueça com esses saberes e avance na superação de barreiras”, afirmou.

Next
Next

Brazil Office participa de encontro internacional em defesa da democracia na Espanha