Por que uma comitiva de líderes partidários vai a Washington
Por André Janones, Jandira Feghali, Pedro Campos e Pedro Uczai*
Este artigo foi publicado originalmente na versão on line da seção Tendências e Debates do jornal Folha de S.Paulo no dia 1º de junho de 2026. Para ler o original, clique aqui.
A eleição deste ano no Brasil já é uma dos mais internacionalizados de nossa história. Desde que lançou sua pré-candidatura, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou para Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Israel, França, Chile e, claro, Estados Unidos. No mesmo período, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou Panamá, Índia, Coreia do Sul, Colômbia, Espanha, Portugal, Alemanha e Estados Unidos.
As viagens de Lula ao exterior têm sido marcadas por agendas com chefes de Estado, debates sobre comércio, transição energética, democracia, investimentos, governança global e fortalecimento do papel brasileiro em organismos multilaterais.
Em contraste, Flávio Bolsonaro direciona sua atuação internacional para alianças políticas alinhadas a setores do conservadorismo autoritário global para alimentar conflitos ideológicos domésticos. Isso explica o encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, pedindo intervenções e interferência externas, deslegitimando o funcionamento das instituições nacionais, gerando riscos e incertezas para a economia e, assim, desgastando a credibilidade do Estado de Direito do Brasil no exterior, tensionando a nossa estabilidade democrática.
Já se sabe que a extrema direita está coordenada internacionalmente. Nesse complexo jogo internacional, os parlamentares brasileiros do campo democrático e progressista também têm algo a dizer. Por isso, uma comitiva de lideranças partidárias do bloco do governo chega a Washington para se reunir com deputados e senadores do Congresso americano, com a diplomacia e os organismos internacionais, além do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, jornalistas, acadêmicos e organizações da sociedade civil local.
Além de informar e de explicar as fortalezas de nossa democracia, a comitiva também levará uma mensagem clara contra qualquer ingerência que possa existir nos EUA em relação ao Brasil: não há espaço para intrusões na disputa de outubro, sejam elas retóricas, econômicas, informacionais ou até mesmo militares.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que coloquem em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros.
O Brasil é um país soberano, com um sistema eleitoral confiável e uma democracia forte e resistente, que só demanda de seus interlocutores internacionais três coisas: relações fundadas na cooperação bilateral e no respeito ao direito internacional, confiança no processo e nas instituições nacionais e respeito ao resultado das eleições, seja quem for o vencedor. Eis as mensagens que levaremos juntos a Washington neste ano de eleições.
*André Janones é deputado federal pelo estado de Minas Gerais e líder da Rede Sustentabilidade; Jandira Feghali é deputada federal pelo Rio de Janeiro e líder do PCdoB; Pedro Campos é deputado federal pelo PSB de Pernambuco e vice-líder do governo; e Pedro Uczai é deputado federal por Santa Catarina e líder do PT.