Em meio ao segundo turno, 12 congressistas dos EUA cobram Marco Rubio por escalada diplomática com o Brasil
Metade dos signatários integra o Comitê de Relações Exteriores da Câmara; carta questiona revogação do visto da embaixadora brasileira, atuação do Departamento de Estado durante o processo eleitoral e possíveis contatos com integrantes da família Bolsonaro.
Brasil Office, 7 de outubro- Doze membros do Congresso dos Estados Unidos, seis deles integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando explicações sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e sobre ações recentes do Departamento de Estado em relação ao Brasil.
A manifestação ocorreu entre os dois turnos da eleição presidencial brasileira, após a votação de 4 de outubro e antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva disputarão a segunda votação
A composição do grupo dá peso institucional à cobrança, seis dos 12 signatários integram o Comitê de Relações Exteriores da Câmara, responsável por temas de política externa e supervisão do Departamento de Estado. Entre eles está Gregory Meeks, principal democrata do colegiado (Ranking Member). A carta também reúne Sydney Kamlager-Dove, copresidente do Congressional Brazil Caucus, e James McGovern, copresidente da Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos.
Logo na abertura, os congressistas classificam o episódio como uma “disputa diplomática fabricada” pelo Departamento de Estado e descrevem a revogação do visto como uma medida “extraordinária e sem precedentes”. Para os signatários, o episódio aprofunda a deterioração das relações com a maior democracia e economia da América do Sul e tem implicações que ultrapassam a controvérsia diplomática imediata.
Da crise diplomática ao processo eleitoral
A missiva situa a revogação do visto em um quadro mais amplo de tensão bilateral, que inclui as tarifas de 50% impostas ao Brasil, sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e questionamentos sobre a credibilidade das eleições brasileiras. Também se menciona a nomeação de Darren Beattie para atuar em temas relacionados ao Brasil no Departamento de Estado.
Em uma das passagens mais contundentes, os parlamentares afirmam que a retirada do visto representa a “mais recente escalada no esforço sustentado da Administração Trump para influenciar os resultados das eleições brasileiras de 2026”.
A carta também destaca a tentativa de viagem ao Brasil de Riley M. Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado ligados à área de democracia e direitos humanos. Segundo informações citadas pelos firmantes, a viagem envolveria questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. Após o Brasil negar seus vistos, Washington revogou o visto diplomático da embaixadora Ribeiro Viotti.
O que os congressistas de EUA querem saber
Os 12 parlamentares apresentaram sete perguntas formais ao Departamento de Estado. Entre elas, querem saber quais fatos justificaram a revogação do visto, qual era o objetivo da viagem dos dois funcionários ao Brasil e qual foi o nível de coordenação da medida com a Casa Branca.
Uma das questionantes busca esclarecer se Marco Rubio ou outros altos funcionários do Departamento de Estado autorizaram contatos com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou seus representantes relacionados à decisão sobre o visto da embaixadora.
No campo eleitoral, os congressistas questionam por que funcionários norte-americanos buscaram escrutinar o sistema brasileiro durante uma campanha presidencial e perguntam diretamente:
“Que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral do Brasil possa carecer de credibilidade?”
Também perguntam se o Departamento considera que a eleição de 2022 foi livre e justa e se possui alguma evidência de que a eleição de 2026 não o será. Por fim, querem saber se a Administração avaliou possíveis impactos sobre comércio, segurança regional, combate ao narcotráfico e a própria relação estratégica entre Brasil e Estados Unidos.
Resposta antes do segundo turno
A carta solicita respostas por escrito até 20 de outubro, cinco dias antes do segundo turno presidencial. Na conclusão, os signatários defendem que a política norte-americana em relação ao país seja orientada pelo fortalecimento da democracia e afirmam:
“As relações entre Estados Unidos e Brasil devem se basear no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro.”
A carta acrescenta que a relação bilateral não deve depender de prevalecer ou não “o candidato favorecido pelo presidente Trump”.
A Alliance Brazil Office disponibiliza a íntegra da nova carta à imprensa.
Carta na íntegra: Aqui