Lideranças e organizações do Cerrado iniciam grupo de trabalho para fortalecer incidência internacional em direitos humanos e justiça socioambiental
Comunicado institucional
20 de abril de 2026
Lideranças de Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), redes territoriais e organizações da sociedade civil participaram da reunião que marcou o início do Grupo de Trabalho (GT) do projeto de Defesa Internacional do Cerrado Brasileiro. A atividade integra o projeto “Internacionalização da Defesa e da Preservação do Cerrado Brasileiro”, executado pelo Instituto Vladimir Herzog no âmbito de parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com apoio técnico da Aliança Brazil Office.
O encontro reuniu representantes de diferentes regiões, incluindo comunidades, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, quilombolas, retireiras, extrativistas de frutos, geraizeiros, vazanteiros, veredeiros e povos indígenas, entre outros, com o objetivo de construir uma agenda comum de incidência internacional em direitos humanos e meio ambiente, a partir das realidades dos territórios.
“Acho muito importante termos essas conversas para trocar ideias e situações que vivenciamos. Nosso território está no Cerrado e no Varjão. Estamos perdendo território pela grilagem”, afirmou Inês Sales, da Associação dos Retireiros do Araguaia de Luciara.
O GT busca fortalecer o protagonismo de lideranças e organizações representativas do Cerrado em espaços internacionais, por meio de formação em mecanismos internacionais de direitos humanos, articulação política e produção de conteúdos a partir das vozes dos territórios.
A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo de internacionalização da defesa do Cerrado, ainda pouco visibilizado nas agendas globais, apesar de sua importância para o equilíbrio climático e a biodiversidade.
Nesse contexto, este grupo pretende ampliar a participação direta dos povos e comunidades tradicionais, cujos territórios enfrentam pressões crescentes relacionadas à expansão do agronegócio, à degradação ambiental e à violação de direitos.
“Consolidar e participar deste grupo de trabalho é poder atuar em resposta às lutas dos nossos territórios e fortalecer o reconhecimento global do papel desses povos na conservação ambiental e na preservação dos saberes tradicionais”, destacou Maria de Fátima, do Fonsanpotma.
Durante a reunião, também foram apontados desafios como a baixa presença do Cerrado em espaços internacionais e a necessidade de fortalecer estratégias coletivas de incidência.
Para Santino Lopes de Araújo, da Associação Central dos Veredeiros (ACEVER), “é fundamental fortalecer os movimentos das comunidades tradicionais, especialmente diante do atual cenário de desequilíbrio ambiental”.
Como próximos passos, o grupo dará seguimento à definição de prioridades, ao detalhamento do plano de trabalho conjunto e à preparação das atividades formativas.