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ArtigosBachelet na ONU
Há pouco mais de 80 anos, durante as negociações da Carta das Nações Unidas, em São Francisco (EUA), uma brasileira – a única mulher na nossa delegação – destacou-se na defesa da inclusão da igualdade entre homens e mulheres, no documento que ficaria conhecido como a “Constituição do Mundo”.
Mercosul e União Europeia: Sociedade e Comércio e Democracia
As sociedades de dois blocos socioeconômicos, a União Europeia e o Mercosul, estão na fase de ratificação do maior acordo do mundo. O problema é que pouca gente sabe que não se trata apenas de um acordo de redução progressiva de impostos em até 91%, como divulgado nos meios de comunicação. O Acordo é abrangente, formado por três pilares: diálogo político, comércio e desenvolvimento sustentável.
2026: O mundo do trabalho na agenda internacional
Início de ano é momento propício para planejamento e, no Observatório sobre Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais (ODTI), não poderia ser diferente. Sempre instigados pelo propósito de promover conhecimento e intercâmbio de informações do mundo do trabalho, decidimos sondar o que está na agenda internacional de 2026, para apurar nosso acompanhamento de questões candentes e nossos esforços de incidência.
Trump 2.0: Crise Definitiva ou Oportunidade de Reconstrução da Democracia
O sistema político norte-americano tem apresentado forte traços de disfuncionalidade ao longo dos últimos anos. Antes amplamente respeitadas, eleições majoritárias têm se tornado foco de disputa e desconfiança. O legislativo nacional enfrenta recorrentes paralisias decisórias, resultando muitas vezes na paralisação dos serviços públicos também. O ocupante do Executivo, por sua vez, é cada vez mais acusado de governar somente para o seu eleitorado cativo, e decisões judiciais são cada vez mais vistas como expressões abertas de posições políticas particulares.
O Brasil como sede de uma importante conferência LGBTQIA+
A América Latina sofre, há décadas, com oscilações políticas que vez ou outra trazem ao nosso continente o flerte com as ditaduras e com os governos opressores. A comunidade LGBTQIA+, como parte de um grupo de minorias políticas, ainda é uma das mais perseguidas. Neste contexto, os Estados Unidos da América se mantêm com forte influência na região e, após a eleição de Donald Trump e o fortalecimento de seu discurso de ódio, a perseguição política à nossa comunidade se agravou.
Democracia não é um atributo moral, é uma imposição social
Este dia 08 de janeiro, envolto no contexto da maior ofensiva neoimperialista sobre a América Latina desde as décadas de 1960 e 70, deve ser dedicado a difusão dos valores antiautoritários e de justiça social. A despeito de toda a adesão ideológica, moral e utópica que possamos ter à ideia de democracia, é fundamental reconhecer que ela está ligada à ideia da igualdade. E que sua existência histórica está fortemente ligada à luta dos movimentos sociais e do campo de esquerda.
Impacto das eleições americanas de novembro nos EUA, no Brasil e na América Latina
Em 4 de novembro de 2026, dezenas de milhões de cidadãos americanos irão às urnas para eleger os 435 membros da Câmara dos Deputados, um terço dos membros do Senado e muitos governadores, prefeitos, legisladores estaduais e autoridades locais.
A prioridade em 2026 é defender a democracia no Brasil
O Brasil realizará eleições nacionais no mês de outubro deste ano. O primeiro turno será no dia 4 e o segundo, no 25. Mais de 150 milhões de eleitores irão às urnas para votar em seus candidatos a presidente da República, governador estadual, deputado federal, deputado estadual e senador.
O Congresso brasileiro e a ‘bukelização’ seletiva da segurança pública
O medo do crime e da violência fez com que a segurança pública se tornasse a principal preocupação da população brasileira, segundo pesquisas recentes. Esse medo não é infundado. Um país que historicamente convive com elevados índices de homicídios e violência doméstica passou, na última década, a enfrentar um novo fenômeno: a disseminação nacional de organizações criminosas associadas ao narcotráfico, cuja origem está concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro. Soma-se a isso uma epidemia de roubos de celular, golpes virtuais e crimes patrimoniais cada vez mais organizados e violentos.
COP das verdades: se Belém não resolveu, agendou
Verdades sejam ditas. Já sabíamos, mas Belém escancarou ainda mais o descaso das nações mais poderosas, que se dizem líderes da humanidade, com o futuro da própria. Dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, vimos, na COP30, uma Europa enfraquecida, uma Rússia em guerra e a ausência do hoje negacionista Estados Unidos, maior poluidor do planeta junto com a China, que pouco quis avançar.
A verdadeira justiça tributária exige a contrapartida da elite econômica, que é branca e masculina
Em 2025 o Brasil assistiu a debates sobre justiça tributária, que incluíram a reforma da renda e a aprovação – pela Câmara dos Deputados e pelo Senado – de um Projeto de Lei (PL 1.087/2025), que, para reduzir as desigualdades no país, passou a isentar do pagamento de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) os cidadãos que recebem até R$ 5 mil. Além disso, esse mesmo PL diminuiu a incidência de Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 7 mil mensais. Por fim, foi adotada como medida de compensação para a renúncia fiscal alíquota mínima de tributação de até 10%, o que beneficiou cerca de 141 mil brasileiros (0,13% da população) – percentual que corresponde àqueles brasileiros que têm renda acima de R$ 50 mil por mês. O impacto estimado da implementação dessas medidas dá pistas do tamanho da desigualdade do sistema, já que essa tributação mínima pode aliviar a renda de outros 10 milhões de pessoas.
O significado histórico da condenação de Bolsonaro
O Supremo Tribunal Federal brasileiro proferiu no dia 25 de novembro a condenação definitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. Ele foi considerado culpado pela participação na tentativa frustrada de golpe de Estado que pretendia impedir que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, vencesse as eleições de 2022, tomasse posse e exercesse seu terceiro mandato legítimo. Além de Bolsonaro, foram condenados no mesmo processo ex-ministros de seu gabinete e comandantes militares de alta patente envolvidos na mesma trama golpista.
Por que a direita brasileira quer enfraquecer a Polícia Federal?
Os pareceres do secretário de Segurança licenciado de São Paulo, deputado bolsonarista Guilherme Derrite (PP), ao Projeto de Lei 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, configuram um verdadeiro ataque à ordem constitucional no Brasil e um prêmio ao crime organizado.
Se não agora, quando? Direitos Humanos e clima
A COP 30 inaugura um momento importante para fortalecer a perspectiva de direitos humanos nas soluções climáticas. Completando 10 anos do Acordo de Paris – tratado internacional que estabelece compromissos dos estados com a proteção do meio ambiente e responsabilidades com as mudanças climáticas – a Conferência, que acontece em Belém, tem um enorme desafio pela frente.
A Operação no Rio: Geopolítica e alternativas possíveis
As motivações para a Operação no Complexo do Alemão ocorrida no último dia 28 de novembro, que resultou no assassinato de 121 pessoas, estão muito mais relacionadas com a geopolitica internacional do que se pode imaginar. É urgente o Governo Federal propor respostas robustas para esse tema, antes que seja tarde.
Entre o legado democrático do STF e os riscos para o espaço cívico
Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve papel decisivo na defesa das instituições democráticas contra ameaças e ataques do governo Bolsonaro. A Corte também impediu a concretização de diversas políticas nocivas daquele governo e do Congresso aos direitos de minorias, à saúde pública e ao meio ambiente, e avançou na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu grupo conspirador pela tentativa de golpe. Esta semana, ao julgar integrantes do chamado “núcleo das fake news”, reafirmou que a desinformação não pode capturar o debate público nem intimidar instituições.
A força do multilateralismo: homenagem a Luz Elena Baños
Depois de mais de seis anos à frente da Missão Permanente do México junto à OEA, a embaixadora Luz Elena Baños deixará em breve a função que exerceu com altivez, coragem e grande distinção. Diplomata de carreira com quase quatro décadas de serviço a seu país, período em que acumulou vasta experiência na América Latina, Caribe, Europa e Ásia, além de ter-se tornado especialista em diversos temas de importância fundamental – de segurança e defesa a direitos humanos, igualdade de gênero e desenvolvimento –, Luz Elena Baños colocou toda essa bagagem a serviço do fortalecimento do multilateralismo na OEA.
Observatório sobre Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais – ODTI
Nas últimas cinco décadas, o mundo do trabalho vem enfrentando seguidas transformações em meio a um cenário global de profundas desigualdades e de destruição do meio ambiente, cujas consequências atingem principalmente os mais pobres.
Migrantes internacionais na extrema direita e as frentes de transnacionalização do bolsonarismo nos EUA
O trumpismo e o bolsonarismo compõem as chamadas “ultradireitas neopatriotas”, um movimento político que de acordo com Sanahuja e Burian (2024) pode ter particularidades em cada país, mas que compartilha o discurso de desconfiança com os processos eleitorais de democracias liberais. Tal “sinergia ideológica” fez com que os dois países se tornassem um eixo de articulação transnacional e internacional da extrema direita brasileira segundo Paulo Abrão (2024). Ademais, os EUA têm a maior colônia de brasileiros vivendo no exterior – mais de 2 milhões – e tornou-se o país estrangeiro no qual Bolsonaro conquistou sua maior vitória eleitoral extraterritorial em 2022.Como as ameaças dos EUA à Venezuela afetariam a liderança brasileira na América do Sul
Se havia alguma dúvida sobre quão hostil tem sido a política de Donald Trump para a América Latina, seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, no dia 23 de setembro, foi esclarecedor. Após discorrer sobre as supostas ameaças que os imigrantes latinos representariam, o presidente estadunidense mirou seus ataques à Venezuela. Segundo ele, os atentados às embarcações venezuelanas teriam barrado a entrada de drogas em seu país e, por consequência, impediram a morte de milhares de seus cidadãos. Na mesma toada, afirmou categoricamente que as organizações “terroristas” de narcotráfico seriam as “piores gangues do mundo”. O recado foi breve, mas direto: a escalada de tensões no Caribe seguirá.